domingo, 8 de novembro de 2009

Algumas das aventuras na construção de um PA


Há alguns dias iniciamos a construção de um Projeto de Aprendizagem que tem como temática O CIRCO eque tem representado para mim momentos de reflexão e aprendizagens.

Na Sexta-feira ( 06/11) fomos até a sala de vídeo para uma "sessão-cinema" com direito, inclusive a pipoca.
Assistimos a um filme com atrações do Circo du Soleil. De volta à sala de aula resolvemos criar um texto coletivo que ficou assim:



CIRCO DU SOLEIL = Circo do Sol



É diferente dos outros circos porque tem atrações diferentes. Tem música. Sempre aparece uma mulher com vestido preto e outra com vestido branco que estão cantando.

Aparecem atores e palhaços, porém não tem mágico e nem globo da morte. Só tem pessoas trabalhando. Não tem animais.

Achamos que a maioria dos artistas são chineses porque sua aparência é idêntica as fotografias de pessoas chinesas que a aparecem num jornal que nossa colega Paloma trouxe para a sala de aula.

A Sandy, porém falou que a maquiagem poderia deixar as pessoas com essa aparência. (olhos puxados).

Vale a pena ir nesse circo porque vemos muitos contorcionistas.



Obs: Ficou evidente que os alunos já são capazes de criar um texto com uma certa estrutura (início,meio e fim) e observando uma sequência lógica.( Com direito a recheio e tudo mais, Uauuuuu!!!)

IMPORTANTÍSSIMO: Só agora, após as leituras para as a realização da atividade de comentário sobre as questões da atividade 5 de Seminário Integrador, a profi se deu conta que esqueceu de construir juntamente com os alunos a questão norteadora, Sem ela corremos o risco de andar em círculo e perdermos a oportunidade de nos tornarmos sujeitos investigativos desse processo.

PROVIDENCIAREMOS!!! Somos marinheiros de primeira viagem.

Algumas considerações:

O Projeo de Aprendizagem tem uma estrutura que precisa ser mantida. Exige planejamento, reflexão e sobretudo mudança de postura do professor que deixa a posição de dono do saber e passa ser aprendiz e sujeito de pesquisa juntamente com seus alunos. Constrói-se conhecimentos na interação e de forma colaborativa o que gera com certeza uma ampliação e maior compreensão do saber.
Acredito que essa postagem diz respeito a todas as Interdisciplinas, pois parte de assunto de interesse dos alunos, envolve planejamento, reflexão. O PA tem também uma estrutura que precisa ser mantida:

domingo, 1 de novembro de 2009

Temas Geradores


Outra atividade bastante interessante da semana foi a da Interdisciplina de Didática e Planejamento sobre TEMA GERADORES.
Permitiu uma reflexão sobre o tema e também sobre a figura de Paulo Freire cuja sensibilidade lhe permitiu perceber quão inggênuas e distantes do interesse de jovens e adultos que chegavam cansados de uma dia de trabalho ou de um dia sem trabalho eram as cartilhas de alfabetização.
E através dos "temas geradores" inovou a alfabetização não como apenas a leitura de texto, mas , sobretudo, como uma leitura de contexto, possibilitando ao aluno que juntamente com a descoberta do código de leitura e de escrita fosse ao mesmo tempo fazendo uma relendo e reescrevendo de forma crítica e dialógica o mundo no qual estava inserido.

Cativou-me também o texto escrito por Frei Betto por ocasião de sua morte.

Paulo Freire:a leitura do mundo.

"Ivo viu a uva", ensinavam os manuais de alfabetização. Mas, o professor Paulo Freire, com seu método de alfabetizar conscientizando, fez adultos e crianças, no Brasil e na Guiné Bissau, na Índia e na Nicarágua, descobrirem que Ivo não viu apenas a uva com os olhos. Viu também com a mente e se perguntou se a uva é natureza ou cultura.
Ivo viu que a fruta não resulta do trabalho humano. É Criação, é natureza. Paulo Freire ensinou a Ivo que semear uva é ação humana na e sobre a natureza. É a mão, multiferramenta, despertando as potencialidades do fruto. Assim como o próprio ser humano foi semeado pela natureza em anos e anos de evolução do Cosmos. Colher a uva, esmagá-la e transformá-la em vinho é cultura, assinalou Paulo Freire. O trabalho humaniza a natureza e, ao realizá-lo, o homem e a mulher se humanizam. Trabalho que instaura o nó de relações, a vida social. Graças ao professor, que iniciou sua pedagogia revolucionária com operários de Senai de Pernambuco, Ivo viu também que a uva é colhida por bóias-frias, que ganham pouco, e comercializada por atravessadores, que ganham melhor.
Ivo aprendeu com Paulo que, mesmo sem ainda saber ler, ele não é uma pessoa ignorante. Antes de aprender as letras, Ivo sabia erguer uma casa, tijolo a tijolo. O médico, o advogado ou o dentista, com todo o seu estudo, não era capaz de construir como Ivo. Paulo Freire ensinou a Ivo que não existe ninguém mais culto do que o outro, existem culturas paralelas, distintas, que se complementam na vida social. Ivo viu a uva e Paulo Freire mostrou-lhe os cachos, a parreira, a plantação inteira. Ensinou a Ivo que a leitura de um texto é tanto melhor compreendida quanto mais se insere o texto no contexto que Ivo extrai o pretexto para agir. No início, meio e fim do aprendizado é a práxis de Ivo que importa. Práxis-teoria-práxis, num processo indutivo que torna o educando sujeito histórico.
Ivo viu a uva e não viu a ave que, de cima, enxerga a parreira e não vê a uva. O que Ivo vê é diferente do que a ave vê. Assim, Paulo Freire ensinou a Ivo um princípio fundamental da epistemologia: a cabeça pesa onde os pés pisam. O mundo desigual pode ser lido pela ótica do opressor ou pela ótica do oprimido. Resulta uma leitura tão diferente uma da outra como entre a visão de Ptolomeu, ao observar o sistema solar com os pés na Terra, e a de Copérnico, ao imaginar-se com os pés no Sol.
Agora Ivo vê a uva, a parreira e todas as relações sociais que fazem do fruto festa no cálice de vinho, mas já não vê Paulo Freire, que mergulhou no Amor na manhã de 2 de maio. Deixa-nos uma obra inestimável e um testemunho admirável de competência e coerência. Paulo deveria estar em Cuba, onde receberia o titulo de doutor honoris causa da Universidade de Havana. Ao sentir dolorido seu coração que tanto amou, pediu que eu fosse representá-lo. De passagem marcada para Israel, não me foi possível atendê-lo. Contudo, antes de embarcar, fui rezar com Nita, sua mulher e os filhos, em torno de seu semblante tranqüilo: Paulo via Deus.

Frei Betto

Fonte: http://portal.mec.gov. br/seb/arquivos/pdf/Profa/col_3.pdf, acesso em 01/12/2007.

Planejamento


Este planejamento foi solicitado pela Interdisciplina de Linguagem e Planejamento e sempre costumo textar sua viabilidade junto a turma. Por ser um tema que partiu do interessse das crianças tem rendido muitas leituras, produções e pesquisas. (Minha máquina estragou e não pude fazer o registro das fotos. É uma pena!)


PEAD/ UFRGS – INTERDISCIPLINA LINGUAGEM E EDUCAÇÃO – 2009/02
ALUNA: NEUZA TEREZINHA DA ROCHA
POLO: GRAVATAÍ
PROFESSORA RESPONSÁVEL: THAISE SILVA

TURMA: 2º ano de Ensino Fundamental
TEMÁTICA: O CIRCO

JUSTIFICATIVA

Os alunos estão eufóricos com a presença do circo na comunidade. A professora percebe, então, a oportunidade para abordar o assunto de forma a ampliar os conhecimentos dos mesmos, sobre a arte circense, uma das mais antigas que está se atualizando por meio da incorporação de novas linguagens, atraindo cada vez mais pessoas e, principalmente o público infantil.
A temática é de interesse dos alunos e permite também a abordagem de conteúdos de forma criativa e prazerosa.

ROTEIRO DE ATIVIDADE
1. LEITURA
1.1 – OBJETIVO
Oportunizar situações e momentos diferenciados através dos quais os alunos exercitem a leitura, a imaginação e a expressão oral.
1.2 – ORGANIZAÇÃO DA TURMA
Neste primeiro momento os alunos estarão sentados em circulo, no chão.
1. 3 – ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL
Livros e textos sobre o Circo estarão à disposição dos alunos sobre a mesa da professora.
1.4– DESENVOLVIMENTO
Inicialmente a professora solicita que os alunos juntamente com ela sentem-se no chão e inicia a leitura do conto: “O Nariz do Palhaço” extraído do livro “Bagunça Feita” de Edson Gabriel Garcia.
Em seguida, propõe um entendimento da história e dos acontecimentos e a ordem em que os mesmos acontecem, identificando como a história começa; quando aparece o problema e seu desfecho.
O texto contém uma ilustração atraente e a professora chamará a atenção dos alunos para os personagens que aparecem que poderão ser facilmente identificados através da ilustração de suas roupas e as atividades que exercem.
A professora deverá conversar também sobre o circo, questionando: - Quem gosta de circo? Quem já foi ao circo? O que mais gostou? O que fazem os artistas?
- Esses personagens são vistos só no circo? Ou também em outros lugares?
Após, os alunos serão instigados a procurar no material disponível sobre a mesa o que mais lhe agradar para proceder à leitura individual. Nesse momento haverá rodízio de textos e ou histórias entre os alunos.

2.PRODUÇÃO TEXTUAL
2.1- OBJETIVO
Produzir um texto através da apropriação das idéias da história contada pela professora e também das leituras e vivências de cada um.
2. 2 – ORGANIZAÇÃO DA TURMA
Alunos sentados em grupos de 4.
2. 3 – ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL
Será utilizado o material individual e do cotidiano do aluno, ou seja, lápis, borracha e folha pautada distribuída pela professora.
2. 4 - DESENVOLVIMENTO
Cada grupo construirá seu texto e fará a leitura e correção do mesmo junto à professora com o auxílio do dicionário, dos textos e livros disponíveis. 3 . 1 - JOGO
3. 1- OBJETIVO
Desenvolver a atenção, o espírito de cooperação e de competição necessários para o envolvimento do grupo na busca da solução adequada.
3.2 - ORGANIZAÇÃO DA TURMA
Alunos sentados em grupo.
3 . 3 – ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL
Folha mimeografada, lápis e borracha.
3.4 – DESENVOVIMENTO
A professora solicitará que cada grupo liste um maior número de personagens do circo num tempo determinado. Vence o grupo que obtiver o maior número de personagens.
4. – SISTEMATIZAÇÃO
4.1 – OBJETIVO
Desenvolver a criatividade e a capacidade inventiva na busca da melhor caracterização, descrição e interpretação do personagem.
4.2 – ORGANIZAÇÃO DA TURMA
Alunos ainda continuarão sentados em grupo. Terminada a tarefa, cada grupo, por sua vez procederá, sua apresentação, neste momento se deslocando até a frente, onde inclusive, poderão utilizar um palco construído anteriormente.
4. 3 – ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL
Folhas de ofício, cartolina, lápis de cor e material de sucata que já dispõe na sala de aula e que são de uso coletivo
4.4 – DESENVOLVIMENTO
Cada grupo deverá escolher uma das personagens listadas desenhá-la, identificá-la, caracterizá-la e apresentá-la aos demais grupos.( A professora terá o cuidado para que não ocorra a duplicidade de personagens).
Finalizada as apresentações, as produções, juntamente com os textos construídos serão colocadas no mural da sala de aula.


Este Planejamento sofrerá alterações para a postagem final que deverá se construída após as leituras solicitadas pela interdisciplina.

domingo, 25 de outubro de 2009

Tentando encontrar o caminho certo...

Esta semana tivemos aula presencial de Didática e Planejamento e também de EJA. Ambas interessantíssimas.
E por falar em "Planejamento" estou bastante atrapalhada com o planejamento de uma aula que preciso fazer para a Interdisciplina de Linguagem. Até agora, e já são praticamente 23 horas não consegui chegar a um consenso na preparação da atividade cujo prazo de postagem é até amahã.Percebi que a que planejei até agora não está legal e preciso refazê-la novamente. Por isso, não vou fazer uma postagem muito longa e reflexiva conforme costumo fazer. Espero até amanhã ter achado a melhor solução e então, voltarei para uma nova postagem.

domingo, 18 de outubro de 2009

Semana tranquilinha essa!!!


Semana de recuperação que para mim foi bem tranquila, pois não havia atividades apenas uma pequena retificação que precisei fazer numa atividade de Didática e Planejamento.

Tutora Cristiane: Aproveitei o feriado e a semana de recuperação para procurar na Interdisciplina de Ludicidade para tentar reparar o erro quando afirmei que Para Piaget, "a criança trabalha enquanto brinca e o adulto brinca enquanto trabalha". Ouvindo novamente a entrevista concedida à Tânia Carvalho no Programa Comportamento pela Psicopedagoga Tânia Fortuna pude então constatar meu equívoco, pois no início da entrevista ela afirma o seguinte: "Piaget dizia que para a criança o seu trabalho é o brinquedo". Espero com isso ter retificado meu engano. Abraço Neuza

Também aproveitei essa semana para assistir o filme: "Vamos passear na Vassoura da Bruxa Onilda".Possibilidades! ao meu redor ainda não conseguir assistir, pois só consegui em fita k-7 e quando fui testar meu aparelho de Vídeo Cassete, ele não estava funcionando, mesmoa assim, já respondi a primeira questão:
- Destaque aspectos positivos e desafiadores do trabalho porr Projetos.

-Lá vai minhas reflexões:

O professor será o facilitador das aprendizagens, viabilizando as informações e pesquisas e terá como incumbência estabelecer o fio condutor desse processo de modo a contemplar a flexibilização dos conteúdos. Deixa de lado a figura de “dono do saber” e passa a ser um pesquisador e aprendiz juntamente com seus alunos.
Os projetos partem de assuntos de interesse dos alunos e tem um caráter avaliativo levando em consideração o que já Trabalhar com Projetos é sempre desafiador tanto para o aluno quanto para o professor.sabem sobre o tema (dúvidas e certezas) e formativo o que estão aprendendo e como estão acompanhando o desenvolvimento dos mesmos. Exigem comprometimento dos alunos que também ficarão incumbidos do material e realização das pesquisas e ao mesmo tempo promovem a interação do grupo e a construção coletiva. Viabilizam o uso de ferramentas tecnológicas, entre elas a Internet ampla fonte de pesquisa e informação que já se encontra à disposição de nossos alunos de periferia e também favorece um amplo material áudio-visual que só vem a contribuir nessa construção.
Os alunos são autores das aprendizagens e sabemos que os Projetos nunca são fechados e previsíveis sempre darão abertura a novos questionamentos e conhecimentos e poderão, inclusive, originar a criação de novos( Projetos).


E por falar em Projetos essa semana uma atividade do seminário Integrador VII nos pegou de surpresa.Deveríamos fazer algumas reflexões sobre nosso Projeto de Aprendizagem: "A escola do Futuro, construido pelo grupo das A'Normais, constituido por mim, Mara, Neila e Sandra.

É parece que nosso grupo não é polêmico apenas no nome, dúbio, aberto a especulações as mais variadas possíveis, tal qual deve ser um PA.

Realmente, fizemos uma parceria muito boa e há uma grande interação entre o grupo, suscitando dúvidas e surpresas e deixando incrédulas muitas de nossas colegas e "quiçá" alguns profis e tutores. Eis o endereço:

http://novopadasamormais.pbworks.com

Bem, mas voltando novamente a atividade de Planejamento e Didática quanto a segunda pergunta já tenho um esboço da mesma, mas gostaria de ter opotunidade de assistir o segundo filme para conclui-la, pois o primeiro filme documenta o trabalho realizado com crianças da faixa etária dos 3 anos e o segundo apresenta algumas cenas das práticas pedagógicas de duas estagiárias das disciplinas Práticas de Ensino em Anos iniciais do Ensino Fundamental.

2. Você identifica diferenças e/ou semelhanças entre a Pedagogia de Projetos na Educação Infantil e Nos Anos Iniciais? Quais?

domingo, 11 de outubro de 2009

Seu nome é Jonas


Escolhi essa postagem porque este filme é comovente e também porque embrou-me um "caso" que existe na escola de um menino que se comunica apenas por gestos e é extremamente comunicativo, expansivo e adora dançar.
Não é meu aluno, mas está seguidamente na minha sala de aula. Já insisti junto a direção e equipe pedagógica. Atualmente contamos apenas com um profissional para fazer esses encaminhamentos para o NASCA e casos semelhantes a esses ficam sem diagnóstico por longo tempo.
Bem, vamos ao relato do filme e também alguas considerações e reflexões feitas.

Seu nome e Jonas


A história de Jonas nos mostra uma realidade bem presente e atua onde a discriminação e também a falta de informação são os pontos mais cruciais na vida de qualquer pessoa surda. Esse quadro de desinformação e descriminação predomina ainda hoje não só nas famílias de classe menos favorecida econômica e culturalmente, mas também nas famílias de classe média e alta que apresentam melhores condições financeiras e que poderiam optar por profissionais de qualidade na busca de um diagnóstico mais preciso.
Também muitas vezes, os profissionais ( médicos, psicólogos e terapeutas) tem dificuldade de precisão no diagnóstico prejudicando e comprometendo com isso o desempenho cognitivo e social de qualquer desses indivíduos.
Antigamente, não se viam pessoas deficientes, pois elas eram “escondidas” dentro de suas casas, asilos, instituições de caridade ou manicômios, pois ao apresentarem qualquer sintoma ou característica que não condiziam com as “ditas” pessoas normais eram considerados “loucos” ou “deficientes mentais” e incapazes de qualquer tipo de aprendizagem ou socialização.
Junte se a isto a rejeição e a culpa que muitos pais sentem por gerar um filho “deficiente”, surdo. Tudo isto dificulta e retarda todo o desenvolvimento da criança surda, pois quanto mais cedo ela for entendida como um ser capaz, como qualquer outra pessoa, e que se diferencia apenas por utilizar outra forma de comunicação, ou seja, a língua de sinais.
Com Jonas não foi deficiente por conta dessa mentalidade cultural e histórica de nossa sociedade, foi rejeitado e abandonado por sua família numa clínica, local que em nada contribuía para a superação de suas dificuldades.
Finalmente, após três anos de permanência na clínica o médico percebe que Jonas não apresenta nenhuma característica para ser considerado com problemas mentais e sugere sua volta ao lar. De regresso, embora o esforço de parentes ( irmão, avós, tios) não “lembra” de mais nada e mostra-se distante e ausente.
Inconformada sua mãe tenta um novo diagnóstico onde fica constatada sua surdez e passa então a fazer uso de um aparelho de surdez, incômodo, que é colocado junto ao seu corpo e que em nada lhe ajuda na comunicação e compreensão e integração com os demais e com o mundo que o cerca. Fato que o torna muitas vezes agressivo, não obstante seu enforco em fazer se entender através da emissão de sons ou gestos.
Frente a toda essa situação e já tendo o diagnóstico de surdez sua mãe resolve colocá-lo numa escola de surdos que adota a metodologia da leitura labial onde Jonas era “forçado” a falar e expressamente proibido de usar a língua de sinais, pois professores e orientadores pedagógicos consideravam essa modalidade de comunicação discriminatória e dessa forma, o menino jamais se livraria do estigma de surdo.
O pai mantinha-se alienado frente toda essa situação, embora muitas vezes integrá-lo à sociedade, levando-o a algumas atividades esportivas, juntamente com seu irmão. Mais uma vez lá Jonas era vítima de preconceito e discriminação por parte dos amigos de seu pai que não permitiam que participasse das atividades. (Sociedade ingrata e cruel, essa)!
O pai não acreditava na potencialidade de seu filho, considerava-o incapaz de jogar bola, andar de bicicleta como qualquer garoto de sua idade, a ponto de chamá-lo de “retardado” e suplicando a sua mulher que o internasse novamente na clínica. Diante da resistência da esposa resolve abandoná-los.
A mãe do menino, no entanto, não desistia dele e, embora enfrentasse muitos de sentimentos contraditórios, ora de culpa, ora de desespero. Buscava incessantemente torná-lo mais feliz essa oportunidade surgiu justamente na trajetória para a escola e percebeu um casal e uma criança que faziam o uso da língua de sinais e percebeu que eram pessoas bem resolvidas.
Numa visita ao clube de surdos ela e sua amiga que também tinha um filho surdo se surpreenderam com o ambiente alegre e descontraído onde as pessoas se comunicavam através da língua de sinais. Percebeu então que esse era o caminho para seu filho não se sentir um “alienígena” e matriculou-o numa nova escola que fazia uso dessa língua e de outras peculiaridades da cultura surda. Então, Jonas pode desenvolver o pertencimento e a identidade a que tanto desejava que só foi possível com o domínio e o uso da Língua de Sinais- LIBRAS.

domingo, 4 de outubro de 2009

Os fóruns tem dado muito "pano prá manga"


Há duas semanas tanto o Fórum de Seminário integrador que nos fala sobre Maturana e amorosidade na relação professor aluno nos faz refletir sobretudo numa educação que transcede os conteúdos e prioriza a relação professor/aluno.Há também o fórum de EJA que nos coloca frente a alfabetização como um ato social capaz de "empoderamento" dos indivíduos.Em recente participação no fórum de EJA fiz a seguinte postagem:

"A alfabetização vista como um ato social que forma indivíduos críticos, isto é, sujeitos não capazes apenas de ler e escrever, mas capazes de fazer uma leitura crítica de mundo vai contra os interesses de uma minoria que detém o poder de econômico em suas mãos e consequentemente um poder de mando.
Não é de agora que a escola sofre influência de modelos ideológicos e econômicos vigentes. O processo de desqualificação e automação de tarefas ocorrido dentro das fábricas decorrentes do Fordismo passou a se refletir no interior das escolas, onde professores e alunos vem negadas sua participação crítica nos processos educacionais que cada vez mais se distanciam da sua realidade na intenção de seguir um cronograma e um programa pré-determinado que devem ser seguidos à risca, determinando e caracterizando assim um ensino compartimentado, desvinculado à realidade social na qual estão inseridos, formando cidadãos alienados, incapazes de intervir de forma crítica, justa, solidária e democrática na comunidade.
O processo de globalização que acirra a competitividade do mercado de trabalho e produção vem provocando mudanças nos modelos econômicos, exigindo uma mudança de atitude. A nova ordem do dia é flexibilização.
No decorrer da história à escola sofre influência do modelo econômico vigente e com certeza não vai ficar imune a esse novo panorama que já se vislumbra. Portanto, é o momento para também as escolas pensarem num currículo mais flexível que permita ao professor juntamente com seus alunos construírem estratégias de aprendizagem mais condizentes com a realidade, tanto nas esolas de ensino regular quanto na modalidade de EJA".